Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Desemprego

 

Há menos de um mês publiquei aqui um texto (Previsões! Optimistas?) que, comentando as previsões da Comissão Europeia então tornadas públicas, dava conta, entre outras coisas, que não acreditava nas projecções apresentadas para o desemprego, que não atingiria os dois dígitos. Como esse texto está aqui disponível não me vou alongar com mais considerandos. Apenas vou referir, para os que então não o leram ou agora se não sintam encorajados a ler, que não acreditava que não tivesse sido já ultrapassada a taxa de 10% e que não se andava a olhar com clareza para o desemprego, ao ponto de se pretender rever o conceito de pleno emprego.

Pois bem, acabam de sair os números de Outubro do Eurostat e … taxa de desemprego em Portugal: 10,2%. Eu tinha razão, já estava ultrapassada a barreira dos dois dígitos quando todos festejavam a previsão de lá não chegar.

O desemprego é, para além de um número ou de uma taxa, um drama pessoal, social e económico. Por de trás de cada número está outro número, o número de pessoas reais, que todos conhecemos, que estão impedidas de dar o seu contributo à sociedade e de se realizar na dignidade do trabalho.

São números que sabemos que continuarão a subir, mas que não sabemos quando começarão a regredir. Porque estão sustentados numa realidade estrutural que foi crescendo quase silenciosamente: a desindustrialização, que a partir do início dos anos 1980 atravessou a maioria dos países desenvolvidos e a que Portugal não escapou.

A desindustrialização em Portugal, em consequência da sua estrutura industrial, atingiu as indústrias de baixa e média tecnologia, de maior intensidade de mão-de-obra e, consequentemente, de maior influência no desemprego. O sector têxtil e o do calçado, integrados nessa classificação de indústrias de baixa e média tecnologia, perderam, entre 1988 e 2006, 150 mil empregos. Mas, em 2006, essas indústrias de baixa e média tecnologia representavam ainda mais de 80% do emprego no sector industrial, isto é, vasto campo para alimentar mais desemprego.

Em Portugal, desindustrialização e desemprego encontram ainda um ponto de confluência explosiva no processo de integração europeia. Não pela integração em si mesma, inevitável, desejável e positiva; mas pelo que se foi sucessivamente falhando na compensação, particularmente ao nível da produtividade, dos seus efeitos negativos mas potencialmente reestruturantes. É que, acima de tudo, deixamos de poder lançar mão da política monetária para esconder as nossas insuficiências.

Só no período de preparação da adesão ao Sistema Monetário Europeu (SME), entre 1988 e 1992, por força do abandono da política de sistemática desvalorização competitiva do escudo, a nossa moeda registou uma apreciação real superior a 20%. Depois de 1999, com a adesão ao euro, os efeitos da apreciação do euro não serão provavelmente muito menores.

Em economias abertas à concorrência internacional, como a portuguesa, as empresas com ganhos de produtividade compensam aí a perda de competitividade cambial, seja directamente seja ainda com recurso à redução de margens de algum conforto. As outras, perdem mercado e acabam por sucumbir!

Ora, sabendo que a produtividade anda de braço dado com a tecnologia, e esta com a qualificação profissional, e continuando o nosso sector industrial agarrado à baixa e média tecnologia, temos o quadro claro da evolução do desemprego em Portugal.

Poderá perguntar-se: então e os outros sectores da economia? O comércio e os serviços, já que pela agricultura ninguém sequer perguntará?

Não chegarão! A saída das crises passa pela exportação de bens transaccionáveis. E a inversão do desemprego por taxas de crescimento acima dos 3%!  

Há um desemprego estrutural em Portugal que veio para ficar. Porque passaram décadas de oportunidades perdidas. E porque continuamos a preferir enganarmo-nos uns aos outros. Uns a enganarem deliberadamente e, outros, deliberadamente a deixarem-se enganar!

Não admira pois que se pretenda rever o conceito de pleno emprego. Se é estrutural faz parte do sistema, não existe! Chame-se-lhe outra coisa: exclusão? Quem sabe se um nome mais pomposo: mendicidade 3 G!

PS: Não sei se repararam mas o texto aqui referido era encabeçado pelo símbolo do FMI. Até nisso foi premonitório: Eles aí estão! Esta noite foi difundido um relatório com as suas receitas habituais, entre elas a redução dos salários da função pública e a subida do IVA mas, mais importante e invulgar, com sérios avisos de caracter político a incidirem sobre a governação e reformas.

Domingo, 23 de Agosto de 2009

Tecnologia para a produtividade agrícola

 

"Quando se fala de meio ambiente é frequente a tomada de posições radicais por parte de alguns sectores que encaram qualquer avanço tecnológico no sector agrícola como incompatível com uma agricultura que respeita o meio ambiente. 

É verdade que toda a actividade humana tem um impacto no meio ambiente, mas felizmente a tecnologia moderna  e os meios e técnicas de produção inovadores permitem reduzir esse impacto de forma significativa, ao mesmo tempo que asseguram a necessária produção de alimentos.

Hoje em dia já ninguém contesta, excepto alguns utópicos, que os produtos fitofarmacos (pesticidas) são absolutamente indispensáveis para manter os níveis de produtividade e rentabilidade na agricultura. A população mundial continua a aumentar a um ritmo imparável de cerca de 250 mil pessoas por dia e 90 milhões por ano. Segundo dados das Nações Unidas, daqui a 20 anos, será necessário produzir mais 50% de alimentos do que hoje em di, para alimentar a população mundial crescente. Não nos podemos dar a luxo de diminuir a produção agrícola. Muito pelo contrário, devemos aumentar a eficiência dos meios de controlo, para evitar a perda anual de 20 a 40 % dos alimentos, que ocorre por falhas na protecção das culturas.

Do ponto de vista do ambiente, a humanidade não deve de forma alguma, permitir a utilização de mais um metro quadrado sequer de selva, bosque ou espaço natural para suprir a crescente necessidade de produtividade agrícola. Resta por isso, aumentar a eficiência da actual superfície agrícola, que é cada vez menor, devido à expansão das zonas urbanas e de lazer. Em resumo, temos que produzir mais com menos! Algo apenas possível com a ajuda da tecnologia moderna.

Usando todo o arsenal de modernas tecnologias disponíveis, incluindo o uso das culturas transgénicas, podemos aumentar a produção de alimentos seguros e saudáveis, a um custo mais baixo que nunca. Por exemplo, desde o início da década de 60, a produtividade média mundial do trigo (ton/ha) triplicou e a do milho duplicou. Isto só foi possível graças à tecnologia - melhores híbridos; culturas transgénicos; produtos fitofarmacêuticos para controlo de infestantes, insectos e doenças; melhorias na mecanização e na qualidade dos fertilizantes -, que ajudou a garantr o fornecimento de alimentos com a qualidade a que estamos habituados.

Aumentar a produção de alimentos em 50% até 2030 é possível, mas só com a ajuda da tecnologia, e de forma sustentável: sem ocupar novos espaços naturais, melhorando a eficiência da rega e da fertilização, promovendo as técnicas de agricultura de conservação que reduzam o gasto de energia e as emissões de CO2, desenvolvendo técnicas para melhorar a biodiversidade, etc, e também, colaborando activamente na formação dos agricultores em todo o mundo."

 

Sérgio Dedominici

Director Geral da Syngenta Ibéria

 

 

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