Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A tragédia do Salário Mínimo Nacional

O salário mínimo nacional (SMN) é uma verdadeira tragédia. Porque é miseravelmente trágico e porque, como se isso não fosse suficiente, é usado e abusado na actividade económica e no discurso político.

Na actividade económica, para além de prática remunerativa aplicada a cada vez mais vastos extractos da população activa, continua a ser o indexante privilegiado para muita coisa, mesmo quando completamente despropositado. Em vez de constituir uma base mínima de referência ou de limiar (de pobreza) transformou-se, à medida que foi sendo miseravelmente actualizado, na própria referência. Não é mais uma base mínima de referência salarial para os deserdados do sistema – os menos qualificados – mas sim a referência salarial para todos e, em particular para os jovens, mesmo os qualificados com licenciaturas. Ainda há não muito tempo o SMN era praticamente de aplicação marginal nas empresas. Hoje, fruto das circunstâncias, é oferta salarial corrente e despudorada.

Sim, bem sei que temos problemas de competitividade mas isso é outra coisa. Tem outros contornos. Hoje o recurso ao SMN situa-se noutro quadro – no da oferta e da procura – e penaliza particularmente toda uma geração de jovens impossibilitados de verem o trabalho como factor de libertação, de emancipação e de mobilização.

Em sede de concertação social tinham sido estabelecidas as condições que fariam evoluir o SMN dos 426 euros em 2008 para os 500 em 2011, passando pelos actuais 450 euros. Continuando a ser valores que nos envergonham por essa Europa fora, constituíam uma base mínima de respeito pelos cidadãos mais desprotegidos e mais abandonados na autêntica selva em que tudo isto se transformou.

Pois bem, agora que caminhamos para o final do ano, o que quer dizer para a sua actualização a caminho dos tais 500 euros para 2011, não param de chover as reclamações e os alertas do perigo que aí vem. O pontapé de saída foi dado pelo presidente cessante da CIP. Logo aproveitado pelo candidato a sucessor, António Saraiva, quem sabe se convencido (ou a querer convencer alguém) que está envolvido numa disputa eleitoral para o cargo, onde este tipo de discurso colha junto da sua plateia. Seguem-se, depois, ilustres economistas e gestores alertando para a incapacidade da economia suportar tão desajustados aumentos. A competitividade, a produtividade… com que, eles, nada têm a ver. Há um, cujo nome me dispenso de referir, que até diz que essa não é a forma de combater a pobreza. Que as empresas nada têm a ver com isso, que é um problema exclusivo do Estado que, para isso, deve criar um escalão negativo de IRS.

Como é possível que o Sr António Saraiva, cuja biografia indica ter-se iniciado como aprendiz de serralheiro mecânico na Lisnave, ou alguns dos mais bem pagos gestores e economistas (muitos de forma verdadeiramente obscena), não corem de vergonha quando falam assim?

Estas são as pessoas, e é este o modelo, que nos afundam ainda mais na nossa trágica mediocridade!

 

.vasculhar neste blog

 

.quem esteve à mesa

Ana Narciso

Eduardo Louro

Jorge Vala

Luis Malhó

Paulo Sousa

Pedro Oliveira

Telma Sousa

.Palestras Vila Forte

Prof. Júlio Pedrosa - Audio 

 

Prof. Júlio Pedrosa - Video 

 

Prof. António Câmara - Palestra

Prof. António Câmara - Debate

Prof. António Câmara - Video

 

Agradecemos à Zona TV

 

.Vila Forte na Imprensa

Região de Leiria 20100604

Público 20090721

O Portomosense20081030

O Portomosense20081016

Região de Leiria20081017

Região de Leiria20081017

Região de Leiria2008052

Jornal de Leiria 20080529

O Portomosense 20071018

Região de Leiria 20071019 II

Região de Leiria 20071019 I

Expresso 20071027

O Portomosense 20071101

Jornal de Leiria 20071101

Região de Leiria 20071102

.arquivos

.arquivos blog.com

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

.Vizinhos Fortes

.tags

. 25 abril(10)

. 80's(8)

. académica(8)

. adopção(5)

. adportomosense(11)

. aec's(21)

. alemanha(7)

. ambiente(9)

. amigos(5)

. amizade(7)

. angola(5)

. aniversário(9)

. antónio câmara(6)

. aquecimento global(7)

. armando vara(9)

. ass municipal(12)

. autarquicas 2009(46)

. avaliação de professores(9)

. be(7)

. benfica(13)

. blogosfera(16)

. blogs(38)

. blogues(19)

. bpn(6)

. casa velório porto de mós(10)

. casamentos gay(17)

. cavaco silva(8)

. censura(7)

. ciba(6)

. cincup(6)

. convidados(11)

. corrupção(7)

. crise(35)

. crise económica(8)

. cultura(7)

. curvas do livramento(10)

. democracia(7)

. desemprego(14)

. disto já não há(23)

. economia(25)

. educação(63)

. eleições(7)

. eleições 2009(55)

. eleições autárquicas(40)

. eleições europeias(12)

. eleições legislativas(46)

. escola(8)

. escola primária juncal(9)

. eua(8)

. europa(14)

. face oculta(18)

. freeport(14)

. futebol(39)

. futebolês(30)

. governo(6)

. governo ps(39)

. gripe a(8)

. humor(6)

. internacional(18)

. joao salgueiro(38)

. joão salgueiro(15)

. josé sócrates(7)

. júlio pedrosa(10)

. júlio vieira(6)

. juncal(31)

. justiça(11)

. liberdade(11)

. magalhães(6)

. manuela ferreira leite(13)

. médio oriente(10)

. medo(12)

. natal(13)

. obama(6)

. orçamento estado 2010(7)

. pec(8)

. pedro passos coelho(7)

. podcast(11)

. politica(12)

. politica caseira(6)

. porto de mós(119)

. porto de mós e os outros(41)

. portugal(27)

. presidenciais 2011(6)

. ps(48)

. psd(54)

. psd porto de mós(11)

. publico(9)

. religião(6)

. rtp(12)

. s.pedro(6)

. salgueiro(16)

. sócrates(81)

. socrates(62)

. teixeira santos(6)

. tgv(6)

. turismo(8)

. tvi(6)

. twitter(17)

. ue(17)

. vila forte(24)

. todas as tags

.subscrever feeds