Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Futebolês #23 Derbi

 

Começo por confessar que enfrentei algumas dúvidas quando escolhi derbi para o futebolês de hoje. Não estava bem certo que integrasse o próprio dicionário de futebolês! Depois acrescia que, em plena crise de escassez de expressões, como já me queixei, surgir-me nesta semana de derbi, com tanta coisa para dizer,  dava-me uma estranha sensação de facilidade de que tenho por hábito desconfiar.

 

Comecei por ficar mais aliviado quando, escrevendo logo o título, como sempre faço – o título é sempre a primeira coisa que escrevo, depois virá o resto – o dicionário do Word deu logo erro. Era um bom presságio mas não quis deixar de consultar o velhinho dicionário da Porto Editora: nada, não encontrei! Se não está no dicionário é porque só pode mesmo ser futebolês, concluí satisfeito!

 

Apesar de não constar do dicionário, derbi tem, como tudo, uma interpretação rigorosa que a afasta de algumas simplificações e generalizações. Embora possa permitir algum tipo de generalização, que lhe dê alguma capacidade de abertura a novas realidades, o derbi refere-se ao encontro de duas equipas da mesma cidade.

 

E é chegado aqui, a esta definição, que sou de novo assaltado pela dúvida inquietante: se é o encontro de duas equipas, de qualquer modalidade e não apenas de futebol, é abusivo concluir que se trata de uma expressão de futebolês. Tarde de mais para voltar atrás! Terei de me refugiar nas generalizações e na capacidade de adaptação para manter o derbi na fileira do futebolês. Não há volta a dar-lhe!

 

É por isso que há o chamado derbi minhoto, entre o Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga, quando o Minho não é cidade e Braga e Guimarães são cidades tão distintas que nem se podem ver… Ou, já com menos propriedade e muito menos rivalidade, o dito derbi do centro, entre a Académica e a União de Leiria. Pode dizer-se que, levado á letra, derbi só há mesmo um: o de Lisboa e mais nenhum… Sim, esse Benfica – Sporting, ou vice-versa!

 

No Porto acabaram-se. Boavista e Salgueiros deixaram o FCP a falar sozinho. O Leixões, que não é do Porto mas enfim, dava-se também um jeitinho, vai pelo mesmo caminho (o caminho não será o mesmo mas o destino não é muito diferente). Em Lisboa também o Belenenses, depois de tantas e sucessivas vezes, já com as malas feitas, escapar à despedida pela via administrativa (será que ainda não é desta?) deixa o derbi apenas para os velhos rivais. No resto do país, um resto que é apenas o litoral, se já há dificuldade em manter um como é que pode haver derbi?

 

Estamos conversados: derbi é Benfica – Sporting, que, mais do que o derbi de Lisboa, é o derbi nacional, como que se Portugal seja Lisboa e o resto… paisagem! Por muito que a rivalidade entre portistas e benfiquistas transforme os seus jogos – clássicos, nunca derbis – em espectáculos verdadeiramente escaldantes, a tradição ainda é o que era…

 

E foi a mais um desses derbis, a mais um grande espectáculo de futebol, que acabamos de assistir na passada terça-feira. Num jogo, em especial na primeira parte, em que não foi possível descortinar uma diferença de 26 pontos (!!!) entre as duas equipas na tabela classificativa, como se aquele fosse um jogo onde tudo começa de novo, sem passado nem futuro. Claro que a diferença acabou por se notar, clara e transparente como a água que caía abundantemente, mas apenas depois de uns terem corrido tudo em metade do jogo, como se não houvesse amanhã, ou simplesmente segunda parte. Então sim, veio ao de cima a superioridade técnica e táctica de um Benfica que fez mais uma vez questão de demonstrar que é a melhor equipa nacional e, por isso, o merecido e justo campeão no final desta liga 2009/2010. Apesar do João Moutinho ter achado que não deu sarrafada nenhuma ( nem o M. Veloso, nem o Grimi, nem o Carriço...) e que o jogo se resumiu a um lance aos 2 minutos da segunda parte, num campo sempre inclinado a empurrá-los para trás. Ou do Costinha achar que pode impedir conferências de imprensa e que deve dedicar-se a exercícios de gritaria de afirmação pessoal e a "querer ou exigir" não se sabe bem o quê, sem qualquer noção de ridículo. Bem sabemos que o Sporting é diferente, mas assim?

 

Já agora deixo aqui um palpite: parece-me que, com este Costinha, que ou tem algum trauma de infância de afirmação de autoridade, ou anda a tentar convencer o J.E. Bettencourt que a "gestão à Porto" é aquilo, o Sporting não vai encontrar treinador… e ainda vai ter de pedir desculpa ao Carvalhal! É que eu não estou a ver um treinador a sério aceitar trabalhar com um tipo daqueles. Basta imaginar o rapazinho a fazer destas ao Manuel José ou ao Jorge Jesus…

 

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Quando uma imagem diz tudo...

 imagem da net

Sábado, 26 de Dezembro de 2009

Futebolês #07 NATAL

No futebolês também há Natal. E não é quando um homem quiser, é mesmo no Natal.

Não só encontramos alusões ao Natal em incidências ligadas directamente ao jogo, como ligadas ao próprio calendário das competições.

É recorrente o recurso a expressões como prendas de Natal ou mesmo prendas no sapatinho. É, de resto, uma das poucas instâncias onde esta velha expressão resiste. Ora aqui está pois mais um notável contributo do futebolês, neste caso para manter uma expressão e uma imagem bonita que tende a desaparecer. É pena, acho eu, que tenhamos negado às novas gerações o encanto das coisas simples, do sapatinho deixado na lareira, antes de partirmos tranquilamente para um soninho descansado, à espera que o menino Jesus descesse durante a noite pela chaminé para nos deixar uma única e geralmente modesta mas ansiada prenda. Porque nos tínhamos portado bem!

Fomos nós que lhes tiramos isso dando-lhes, em troca, um sem número de prendas que se vão amontoando junto à árvore de Natal e freneticamente desembrulhadas durante a noite. Tantas que, logo depois de abertas deixam de ter valor. Tantas que a abertura da seguinte mata a anterior. Tantas que já não podem ser trazidas pelo menino Jesus. Nem sequer pelo Pai Natal! E que nem é preciso que se tenham portado bem!

Será por tudo isto que, em futebolês, prendas de Natal e prenda no sapatinho são coisas tão diferentes?

A prenda de Natal é uma oferta de um jogador, ou às vezes mesmo de uma equipa, através de um erro ou de um mero acto de infelicidade. É quando, do nada, como também se diz, nasce uma oportunidade. Um brinde para o adversário. Que, agradecendo, aproveita e faz o golo e quantas vezes o resultado.

Já a prenda no sapatinho é destinada aos treinadores, o que os faz transportarem-nos aos nossos tempos de meninice. Como se sabe pelo Natal abre-se o chamado mercado de Inverno que, sendo como que uma segunda oportunidade dada a dirigentes e treinadores, é sempre mais uma oportunidade para agitar o mercado, depauperar as finanças de uns e enriquecer as de outros. É aí que surgem os treinadores a pedir a prenda no sapatinho. Que já não é bem a nossa, dos mais velhos, repito, porque aí era única e normalmente modesta, como referia acima. Quanto menos bem lhes corre a vida mais prendas exigem, já não é só o tal jogador para preencher a lacuna do plantel. Não, já são sempre dois ou três. Bom, mas se o treinador é daqueles que resultam da famosa chicotada, dita psicológica, e ainda em lua-de-mel com o presidente, já não chega o sapatinho. É preciso recorrer à famosa sapateira de Imelda Marcos ou à de Raisa Gorbachev!

O Natal funciona ainda como referência do calendário do futebol. Já vimos que abre uma nova janela de transferências mas assinala ainda a viragem da primeira para a segunda volta do calendário competitivo e, nessa condição, marca as contas que se vão fazendo e atribui mesmo um título virtual: o de campeão de Inverno, que é coisa que não vale coisa nenhuma mas chega para aconchegar o ânimo dos adeptos. Um título no ano passado conquistado pelo Benfica que, meses mais tarde, não lhe valeria mais que o terceiro lugar habitual dos últimos anos. Este ano dizem que é do Braga, apesar de ter os mesmos pontos do Benfica e uma enorme diferença de golos para os encarnados

Mas o Natal costuma ser fatídico é para o Sporting. Do Sporting se diz que nunca chega ao Natal. Claro que chega a esta bela quadra e até faz muitas festas de Natal. O que se quer dizer com isso é que, chegado ao Natal, já o Sporting já não vê luz ao fundo do túnel (e não é porque Luz e túnel estejam na moda!)... O que não será exactamente pretexto para festejar! Mas festejam e muito! Este ano, que não é excepção (12 pontos atrás do glorioso rival), até fizeram a festa de Natal da Juve Leo, onde apresentaram a primeira prenda para o sapatinho do treinador: um ex-benfiquista e ódio de estimação chamado João Pereira. É realmente um clube diferente! Já a apresentação do novo treinador, Carlos Carvalhal, para evitar a ira dos adeptos, fora feita por vídeo, no seu sítio da Internet; agora, para fintar o ódio dos sportinguistas pela nova aquisição, é a claque, e não a direcção, a apresentar o grande reforço. Notável: os anjinhos a abençoarem o diabo! Percebe-se a atitude protectora, só não se percebe é quem é o protegido... Se calhar é o presidente, o que já não é nem novidade nem sobretudo diferente!

Quem também recebeu uma bela e merecida prenda de Natal foi Messi – o novo melhor do mundo – à frente do nosso CR. Que, para além de passar de melhor para segundo melhor, foi passar um dia ao Uzbequistão, onde Scolari papa milhões, a troco de 600 mil euros! Porque é Natal diz-se que os irá doar a uma instituição de solidariedade social! É... Natal deveria ser todos os dias!

 

Domingo, 15 de Novembro de 2009

Paralelismos

 

 

 

 

 

 

Confesso: os paralelismos a que me vou referir ocorrem-me um pouco na onda do futebolês que aqui trago aos sábados. Mas também pelos acontecimentos que marcaram a semana que está a acabar.

De facto notam-se uma série de paralelismos entre o país e o Sporting.

País e Sporting andam altamente deprimidos. Ambos estão com níveis miseráveis de desempenho e, no entanto, até estão, na actual conjuntura, com bons resultados na II Divisão da Europa. O Sporting, num grupo muito fraquinho da liga Europa, está no primeiro lugar e com grande avanço. Portugal também. Com um crescimento de 0,9% no III trimestre, que se segue aos 0,3% do segundo, e com o crescimento negativo previsto para este ano para 2,9%, contra os 4% da média europeia, o país também apresenta um bom resultado nesta altura desse campeonato. O pior é depois, o que vem a seguir. Mas é bom recordar que estamos a falar da actual conjuntura…

Mas há mais. Se nos virarmos para a governação, do país e do Sporting, então encontramos muitos mais paralelismos. Com uma única diferença: enquanto toda a gente sabe quem manda no governo, ninguém sabe muito bem quem manda no Sporting.

Ambos gostam de se vitimizar. São vítimas de tudo! São vítimas dos jornais, da opinião pública, da oposição…

José Eduardo Bettencourt (JEB, para simplificar) só vê “terroristas” no Sporting. E “cretinos” pagos para fazer oposição. Pois não é precisamente disto que Sócrates se queixa? Mas com uma vantagem: é que Sócrates, ao contrário de JEB, identifica os terroristas – os jornais (alguns) e as televisões, também algumas. Mas o JEB também se queixa da perseguição dos media.

Um jornal deste fim-de-semana faz manchete com a notícia de que Sócrates mentiu ao Parlamento quando ali referiu desconhecer o propósito da PT comprar a TVI. Parece que, nas famosas escutas das suas conversas privadas com o amigo Vara, lá falavam do negócio. Mas Sócrates reage: isso não é notícia, é calúnia. Bem, depois vem a pequena nuance: afinal o governo é que não tinha conhecimento oficial… Ah…daí a calúnia!

Durante a semana os jornais davam conta da decisão do JEB contratar o treinador da Académica – André Villas Boas. Sem dinheiro para mandar cantar um cego (sem ofensa aos inivisuais, é apenas uma consagrada expressão popular), tal como o país, o Sporting falha a contratação e expõe-se ao ridículo, uma vez mais. É então que surge o inefável JEB a dizer que nunca lhe passou pela cabeça a contratação daquele treinador. Que tudo não passou de uma invenção dos jornais. Pois, só que se esqueceu que nem foram necessárias escutas para ficar claro que estava a mentir (é verdade que não era no Parlamento)! É que, poucas horas antes do presidente da Académica anunciar o falhanço das negociações, tinha emitido um comunicado para a CMVM informando-a que se encontrava a efectuar, e cito, «contactos (…) com o representante do treinador André Villas Boas».

A salvação deste país é que é maioritariamente benfiquista! Com o Benfica a ganhar até a economia cresce 0,9%!

 

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