Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Futebolês #25 Maldade

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Mais uma das travessuras do futebolês. Há maldade em todo o lado e o futebol não é excepção. No futebol há muita maldade: entre dirigentes, entre adeptos e até entre jogadores, dentro e fora do campo. Também nos árbitros há muita maldade…

 Mas essa é a maldade comum, praticada pelos maus. Maus a tempo inteiro ou apenas maus às vezes. Mas maus, por vocação ou por circunstância. Que, também tendo vida própria no futebol, se estende a tudo o que é actividade humana. É o preço que temos de pagar pelo pecado original…

 A maldade no futebolês é outra coisa. Se é necessária uma prova de que o futebolês não é coisa má, ela aí está: fazer da maldade uma coisa que não é má. Que é mesmo uma coisa boa! Começa logo por não ser praticada pelos maus e estar apenas ao alcance dos bons. Dos muito bons! Maldade, no futebolês, não é mais do que aquele gesto técnico, só ao alcance dos mais dotados, que resulta como que numa humilhação (não, não são os “olés”, porque esses não vêm dos jogadores, mas de uns tipos que não percebem a diferença entre um campo de futebol e uma praça de touros) para o adversário. Mas numa humilhação que não é por maldade, pela maldade comum.

 A maldade mais frequente, e talvez a menos exigente de recursos técnicos, é aquela de fazer passar a bola por entre as pernas do adversário. Há quem lhes chame túnel (vejam bem, túnel!) rabeta ou mesmo cuequinha! Todas as outras maldades são bem mais exigentes. Quer de executar quer de descrever.

 Todos nos lembramos de inúmeras maldades praticadas por alguns meninos traquinas que espalham travessuras pelos campos de futebol. O Messi é talvez o mais travesso do mundo e delicia-se a fazer maldades, umas atrás das outras. Quem não acha muita graça às traquinices dessa Pulga irrequieta é o Mourinho, ao ponto de lhe montar uma guarda bem apertada para que nem um ar da sua graça pudesse sequer dar.

Por cá, é Di Maria o maior malfeitor. Muita maldade tem esse rapaz espalhado por esses campos fora. Já para não falar dos seus dotes de caligrafia: são letras de todo o feitio e para todos os gostos – passes, assistências e golos! O Saviola também é rapaz dado à traquinice, não dispensa as suas maldades.

Não se pense que só há maldosos no Benfica. No Sporting também há: o Liedson de vez em quando também faz a sua maldade. Tal como no FC Porto: o Bruno Alves, o Raul Meireles… Esses não, desculpem. No FC Porto claro que é o Hulk! Não podemos contar apenas com as maldades no campo, no túnel também contam!

 Quem continua a fazer maldades é o Braga. Não, não é maldade querer fazer-se de grande. Não é maldade quase conseguir imitar o Benfica e quase encher os campos dos adversários: quase encheu o de Leiria, há três semanas, e quase que encheu, na semana passada, o da Figueira, dando uma boa ajuda aos cofres do União e da Naval. Nem é maldade que isso seja feito à custa de uma certa batota: compra os bilhetes, freta os autocarros, recruta os adeptos… E não foi evidentemente maldade ter impedido que o Benfica festejasse o título a 25 de Abril!

Como não será maldade que o FC Porto volte a impedir a festa encarnada no próximo domingo. Mas será uma grande maldade, esta na verdadeira acepção do futebolês, o Benfica fazer a festa no Dragão. Gostaria que os portistas não levassem a mal, mas temo que assim não seja! Temo que no domingo no Dragão as maldades não se resumam às traquinices do Di Maria, do Saviola, do David Luiz, ou de um ou outro jogador do FC Porto que, perdoem-me os adeptos portistas, não consigo antecipar. E não é por maldade, é porque, tendo jogadores com capacidade de desequilibrar, o Porto não tem propriamente grandes fantasistas

 

 

Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Futebolês #13 Cavar a Falta

Cavar uma falta não tem nada a ver com qualquer tarefa rural. Para cavar uma falta não é necessária uma enxada. Deve ser mesmo a única coisa que se cava sem enxada ou qualquer outra ferramenta ou alfaia.

E não é por qualquer metamorfose nem por qualquer fenómeno de mimetismo que se cavam faltas sem o recurso à enxada, essa ferramenta que já faz parte do imaginário nacional e que, ainda há poucos anos, era uma das imagens de marca de um Portugal rural, obscuro e sacrificado. Que de sol a sol acompanhava o trabalhador rural em movimentos contínuos e ritmados, muitas das vezes ao som de ordens cadenciadas, deitadas pelo capataz como que a soar a chicoteadas arrancadas à memória dos tempos da escravatura. Sempre com muito suor e às vezes sangue e lágrimas!

É mais uma expressão do futebolês que parece desprovida de sentido, circunstância que, como temos visto, é comum nesta forma de expressão. Mas, tal como noutras expressões aqui trazidas, há algo que segura uma ponta de nexo, algo que faz sentido: cavar também é arrancar. Arrancavam-se as batatas, por exemplo, com uma enxada no mesmíssimo movimento, o mesmo de “ cada cavadela cada minhoca”, com que assinalamos uma sequencia de manifestações mais ou menos disparatadas.

Ora aí está: cavar uma falta é arrancar uma falta! Inventar uma falta! Não aquela falta cirúrgica de que falamos na semana passada, mas uma falta que faça inverter uma situação precisa. Se um defesa está em situação de apuro para afastar a bola das imediações da sua baliza procura pôr-se a jeito para que o adversário que o incomoda lhe toque, fazendo falta ou simplesmente induzindo o árbitro a acreditar que lhe tocou. Se, em posição de ataque, todos os espaços estão tapados pelos adversários e não há qualquer hipótese de progressão ou de levar a jogada a bom porto, o jogador faz o mesmo: põe-se a jeito para que o defesa que lhe tapa os espaços acabe por lhe tocar, ou simulando mesmo que ele lhe tocou.

Cavar uma falta é, assim, uma saída à laia de chico-espertismo, essa coisa tão portuguesa e tão própria do modo de vida português. E, como a falta cirúrgica, cheira a batota… Cavar uma falta é enganar, é ludibriar alguém: o adversário ou o árbitro!

Mais uma vez, e em paralelismo com o tema da semana passada, em vez de se denunciar como uma má prática, contrária ao fair play, promove-se a sua prática e premeia-se o seu autor, invariavelmente apelidado de inteligente na forma como cavou a falta, seja para se safar de uma aflição defensiva seja para transformar um beco sem saída numa bola parada.

Todos sabemos que a falta de fair play é ainda maior fora do campo. Fora do campo, nos bastidores do futebol, entre dirigentes e um sem número de agentes que gravitam à volta do fenómeno do futebol, não se faz outra coisa que não seja cavar faltas. Com menos, muito menos pudor: são faltas cavadas por simulação pura!

À medida que as ambições sobem assim sobem também as simulações.

Vejamos as consequências do processo do túnel de Braga (já só se falava do túnel da Luz, até parecia que não havia o de Braga para esclarecer) vindas a público três meses (!) depois dos incidentes. Um jogador suspenso por três jogos (Moissoró) e outro, o capitão Vandinho, suspenso por três meses. Olhando para as contratações de Inverno efectuadas pelo Braga reparamos que contratou um lateral direito (Miguel Garcia), porque vendeu o passe do jogador daquela posição (João Pereira, para o Sporting), contratou por empréstimo do Porto (estranho, não é?) um ponta de lança (Renteria) porque pensava que se veria privado de Meyong (que afinal acabaria por não ser convocado para jogar a CAN pelos Camarões) e porque afinal fora enganado na contratação de Adriano ao mesmo Porto. E contratou, por “devolução”, Luís Aguiar, um 10 como Mossoiró e, no último dia, um trinco – Oberdam, ao Marítimo – por acaso o lugar do Vandinho.

É evidente e óbvio que fizeram as contratações cirurgicamente para as posições dos dois jogadores castigados. Revelaram competência de gestão, precavendo-se do que, pelo conhecimento dos factos, sabiam ser inevitável (eventualmente até estariam à espera de castigos mais pesados). Mas a Comissão Disciplinar da Liga, ao demorar 3 meses a divulgar os castigos e ao fazê-lo no dia seguinte ao do fecho das transferências, pôs-se a jeito… E pronto lá cavou, também o Braga agora elevado à condição de candidato a campeão, uma falta de que está a tentar tirar proveito através da vitimização e de uma enorme pressão de que espera dividendos!

Nestas coisas, como já se havia notado com a vasta panóplia de incidentes que criaram para o tal jogo com o Benfica, parece que aprenderam depressa. Ou que têm bons professores!

 

Sábado, 23 de Janeiro de 2010

Futebolês #11 SELO DE GOLO

A bola levava selo de golo!

Quer dizer, traduzindo do futebolês, que aquela bola tinha, à partida, o destino traçado: aconchegar-se às redes, beijar a rede, dar em golo!

No entanto a bola pode levar selo de golo e … não ser golo. Poderá até parecê-lo, mas não é! E nestas coisas de golo não há dúvida: mais vale sê-lo que parecê-lo. Só vale mesmo sê-lo… Pode levar o endereço errado, e não há selo que lhe valha. Mas o endereço até pode estar correctíssimo. Basta que esteja escrito com letras muito grandes para não dar em nada. É que o guarda-redes lê-o bem lá ao longe e quando a bola lá chega já ele lá está, pronto a recebê-la.

Este recurso do futebolês á linguagem postal demonstra a sua ancestralidade. O futebolês é uma linguagem construída antes da revolução nas tecnologias de comunicação e portanto vai socorrer-se de imagens que, neste domínio, são quase pré-históricas, como é o caso do selo. Do selo dos correios! Da estampilha postal! Porque há outros selos que se mantêm actuais, como os do Sá Pinto, por exemplo.

O rapaz errou a profissão, o que ele queria mesmo era ser carteiro. Mas não, nunca lhe deram essa oportunidade. Primeiro convenceram-no que seria jogador profissional de futebol e ele, a contra gosto lá foi andando, jogando pouco é certo mas correndo muito e com muito empenho, como se tivesse um giro dos grandes a cobrir, e distribuindo, não cartas como ele gostaria, mas fruta. Distribuía fruta - não daquela que é usada lá para os lados do Dragão, de que voltamos a ouvir falar esta semana – mas da outra, também chamada fragatada, a torto e a direito. Porque tinha aquela inclinação para as lides postais, distribuía também alguma daquela matéria-prima usada na colagem dos selos. Depois, uns anos mais tarde, já perfeito símbolo do seu clube – o tal que é diferente, tão diferente que o símbolo até pode vir de um dos rivais (o próximo será, sem qualquer dúvida, o João Pereira) – e quando por lá manda(va)m as claques por entreposto presidente (não confundir com o presidente do Entreposto, esse era presidente a sério), convenceram-no que bom mesmo seria como que uma espécie de director desportivo. Não podiam ficar atrás dos rivais e vizinhos do lado e até daria para aproveitar a boleia e ganhar uns bons trocos numa campanha de publicidade de uma operadora de comunicações móveis…

Ninguém ficou muito tranquilo! Se ele já gostava de selar, com poder a subir-lhe à cabeça… Mas pronto, a coisa aguentou-se por dois meses, também não se podia exigir mais!

O selo não é o único dos termos hoje pré-históricos a que o futebolês recorre. Há outra: o papel químico, que hoje já pouca gente conhece e ninguém utiliza! Diz-se, por exemplo: “uma jogada tirada a papel químico da jogada do golo”. Quando hoje se deveria dizer, por exemplo, não que os murros do Sá Pinto ao Liedson foram tirados a papel químico, mas sim um copy paste dos murros ao Artur Jorge.

Percebe-se que o futebolês esteja agarrado as expressões que as novas tecnologias tornaram ultrapassadas. O próprio futebol convive mal com essas tecnologias, ao ponto de o conhecido Rui Santos ter liderado uma petição, já entregue na Assembleia da República, com vista a melhorar as relações do jogo com as ditas. Convive mal com as câmaras instaladas nos túneis. Alguns tão mal quanto isto: ontem, mais de um mês depois do jogo do Porto na Luz, e depois de toda a tinta que correu sobre o que se passou no túnel, com jogadores suspensos e inquéritos em curso há um mês, vem um responsável portista dizer que afinal ele próprio é que fora agredido e que os jogadores apenas reagiram em sua defesa. Convive mal com as tecnologias de escutas, com a Internet e com Youtube. Com esta última então há quem conviva muito mal. O tal presidente muito dado a antigos hábitos de envolvimento com árbitros, de que falávamos na semana passada, é um dos casos. A ponto de, segundo dizem, ter apresentado uma queixa-crime. Não sabemos nem contra quem nem porquê.

Mas ficamos a saber como se passavam as coisas, quem mandava, da falta de escrúpulos e até da forma como o vernáculo sela a linguagem das altas esferas do dirigismo do nosso futebol! Conversa que se preze é selada com o que de melhor ilustra o nosso vernáculo! O futebolês é para os outros!

 

 

PS 1: Esta rubrica, em resultado de algumas alterações que nos preparamos para vos dar conta, passará a chegar ao Vila Forte um dia mais cedo – à Sexta-feira. Já na próxima semana!

 

PS 2: Uma referência para um blogue que se dá pelo nome do título de hoje: http://selodegolo.blogspot.com/. A não perder para quem gosta destas coisas!

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